Em pleno coração do bairro de Santo Antônio, um dos núcleos mais antigos e simbólicos do Recife, o 2º Tabelionato de Notas carrega consigo quase dois séculos de história. Instalado oficialmente em 16 de outubro de 1857, o cartório testemunhou — e registrou em seus livros — boa parte das transformações jurídicas, sociais e urbanas da capital pernambucana.


Entre os documentos preservados nesse acervo está uma procuração de 1881, lavrada ainda durante o Império do Brasil, na então Província de Pernambuco — poucas décadas depois da instalação da serventia. O papel amarelado, o brasão impresso no alto da página e a caligrafia cuidadosa das assinaturas servem hoje como testemunho físico de uma história que se mantém viva nos livros do cartório.


Um bairro de tradição jurídica
Não é por acaso que o tabelionato se instalou em Santo Antônio. O bairro, criado por alvará ainda no período colonial, consolidou-se ao longo do século XIX como o centro administrativo e jurídico do Recife, reunindo fóruns, cartórios e repartições públicas nas proximidades da Rua do Imperador Dom Pedro II — endereço que o 2º Tabelionato ocupa até hoje. Nascer nesse perímetro significava nascer no epicentro da vida oficial da cidade.


De onde vem o nome “Cartório Paulo Guerra”?
Ao longo de décadas, a serventia ficou popularmente conhecida como “Cartório Paulo Guerra” — nome pelo qual muitos recifenses ainda o reconhecem. Tudo indica que a homenagem é a Paulo Pessoa Guerra (1916–1977), uma das figuras mais marcantes da política pernambucana do século XX: prefeito de Orobó e Bezerros, deputado federal e estadual, vice-governador e, após os eventos de 1964, governador de Pernambuco entre 1964 e 1967, além de senador da República a partir de 1971. Registros oficiais do Senado Federal o descrevem como “titular de cartório” em Recife — o que reforça a tradição local de associar seu nome a esta serventia, ainda que os detalhes exatos dessa passagem mereçam ser documentados com mais precisão nos arquivos internos do cartório.
Uma sucessão de guardiões da fé pública
Antes da atual gestão, a titularidade esteve sob responsabilidade de João Dias de Andrade. Houve, em seguida, um período de interinidade conduzido por Fábio Lourenço de Lima, titular do 7º Tabelionato de Notas de Recife, até a posse do atual tabelião, Allan Viana Júnior, que hoje conduz a serventia unindo a tradição notarial de quase 170 anos a uma gestão moderna, tecnológica e atenta às necessidades de quem busca segurança jurídica em seus atos.
Um marco que segue em construção
Completar 169 anos não é apenas uma efeméride: é a prova de que a fé pública, quando bem exercida, atravessa gerações. O 2º Tabelionato de Notas de Recife segue escrevendo sua própria história — com a mesma seriedade que sempre marcou seus livros, mas também com os olhos voltados para o futuro da cidade e de quem nela confia seus atos mais importantes.

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